Agronegócio no Sul do Amazonas  

 

O agronegócio brasileiro, no aspecto econômico, vem sendo reconhecido como atividade moderna, próspera, rentável, competitiva e de magnitude que evidencia o país como uma potência agrícola mundial. As intensas mudanças de cenário nos sistemas de uso de terra, nos últimos anos, têm colocado a região Amazônica como a principal frente de expansão agrícola do País, especialmente, para a produção de grãos. A parte Sul da Amazônia brasileira, incluindo o Sul do estado do Amazonas, Rondônia e Acre têm investido nesse modelo do agronegócio, evidenciando a pecuária extensiva, piscicultura, cultivo de açaí, a extração de madeira, e na monocultura de grãos. Em Rondônia, o sistema recebe um maior apoio da região do Cone Sul onde há anos se pratica o cultivo de soja e outras culturas anuais como o arroz e milho safrinha. Há aproximadamente 310 mil hectares de cultivo de grãos.

A bovinocultura leiteira em Rondônia constitui um importante papel no agronegócio rondoniense, por ser uma atividade de geração e distribuição de renda. Através dos segmentos de produção, industrialização e comercialização do leite e seus derivados, criação de novos postos de trabalho no meio rural e urbano, além de ser fundamental no suprimento de alimentos para a população (IDARON, 2013).  Do total de leite processado em Rondônia, cerca de 75% é comercializado para outros estados, com destaque os estados de São Paulo e Amazonas, ficando apenas uma pequena parte dentro do estado, diferindo da situação de 30 anos atrás, quando a produção de leite era pequena, e o único produto lácteo era uma pequena quantidade de leite pasteurizado, necessitando a importação dos produtos lácteos para atender o consumo. Em 2013, o leite entregue aos lacticínios aumentou em 1,76% em relação ao ano anterior, para decrescer quase 3% em 2014 (SEBRAE, 2015).

A região Norte possui algumas características que explica o êxito na criação de peixes em cativeiro, no cultivo de açaí e o grande desempenho da pecuária leiteira em especial no estado de Rondônia nas últimas décadas, a abundância de chuvas associadas a elevadas temperaturas em pelo menos oito meses do ano.

A base alimentar dos rebanhos leiteiros explorados em Rondônia é a pastagem, o baixo custo de produção que está relacionado à mão de obra familiar, viabilidade de sistemas de produção de leite a pasto, sendo as forrageiras do grupo das braquiárias as mais frequentes, e a produção direcionada para a industrialização (BRITO et al., 2013).

Município dos grãos, Soja em Humaitá – Humaitá é conhecida no Amazonas pela grande quantidade de grãos que produziu nos anos 90, onde produziu 11 mil hectares de soja, arroz, feijão e milho, e neste ano volta a aparecer nos noticiários pela produção de soja. Isso porque a Fazenda Santa Rita, no quilômetro 15 da BR-319 (Manaus-Porto Velho), iniciou a colheita dos primeiros 500 hectares do grão.

A expectativa, segundo o arrendatário da fazenda, Jucelito Foleto, é que a colheita por hectare resulte em três toneladas de soja. A saca de 60 kg do produto será comercializada em média por R$ 60. Produtor conhecido em Mato Grosso onde mantém plantios de diversos grãos, ressaltou que, até 2019, a meta é colher cinco mil hectares de grãos como soja, arroz e milho. “É gratificante poder realizar o plantio de soja no Estado do Amazonas, em Humaitá, numa área de 500 hectares. A lavoura desenvolveu bem e a perspectiva de colheita é em torno de 3,1 toneladas de soja por hectare. O tempo está colaborando (com plantio). Eu acho que não vai ter problema nenhum a nível de colheita”, comentou.

O produtor Jucelito ressaltou que a soja no Amazonas já está consolidada e que o momento é propício para novos investidores de maneira sustentável. No município, um novo porto graneleiro vai facilitar a exportação da produção. “A soja no estado já é consolidada. É uma atividade lucrativa. Para os empresários que queiram investir no Amazonas é a hora. Encontram-se terras boas para se comprar, campos. Não precisa desmatar nada. O governo vai destravar as leis ambientais. Eu acho que o resto é no mesmo modo de Mato Grosso e Rondônia. ”, destacou.

Vale ressaltar que Humaitá possui Instituto Federal-IFAM, Universidade Federal e Estadual, com cursos relacionados ao setor primário, sendo Engenharia agronômica, Engenharia Ambiental, Gestão Ambiental, Agrimensura, Técnico em Agropecuária, Técnico em Recursos Pesqueiros e Técnico em Florestas.

Fonte: Engenheira Agrônoma  Nislene Molina ,Professora da Universidade Federal do Amazonas- UFAM) Mestre em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente e Universidade Federal de Rondônia – UNIR/EMBRAPA-RO.

email:  nislene.molina@gmail.com

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